Caixa de novembro

novembro 2026

Na caixa de novembro, os assinantes recebem o livro Rosa Preta: poesia reunida. Em sua vida breve e intensa, Maria Tereza (1974-2010) se desdobrou em muitas personagens, nos palcos e para além deles. Ler seus poemas é entrar em contato com uma potência artística e existencial tão rara quanto bela — e necessária. Seus versos encarnam uma inquietação profunda com a matéria que compõe a vida e, acima de tudo, vão em direção ao que deveria ser mais: mais alegria, mais prazer, mais poesia. Poesia com carne e osso, sonho e gozo. Poesia urgente, que dá a letra e sai andando, mas muda tudo por onde passa. Também vai na caixinha a plaquete uakitingo-tapogingo/amor-humor, que é fruto do encontro poético entre as vozes de Daniel Massa e Yamaluí Kuikuro Mehinaku, entre o português e o kuikuro, entre o amor e o humor. E, sobretudo, entre homens e mulheres no território indígena do Xingu (MT), onde viver e amar são a mesma coisa, e a mais importante delas. Um universo em que o amor tem cheiro de pequi e balança na rede; as imagens trocam de pele e passeiam entre as línguas para desvendar até onde o amor, lá e cá, é capaz de nos fazer voar: “um pássaro cheio de saudade/ só voa perto do chão”.

Livro de novembro

Autor

Maria Tereza

Maria Tereza viveu intensamente. Nascida em 1974, na Vila Nova Cachoeirinha, Zona Norte de São Paulo, onde morou a maior parte do tempo com sua família, ela conheceu alguns lugares pelo mundo, mas, sobretudo, circulou e se engajou na cena cultural de sua cidade, desdobrando-se em muitas personagens, nos palcos e para além deles, marcando profundamente todos que foram tocados por sua poesia, até que uma síndrome de nome curioso — POEMS — colheu essa Rosa Preta, em 2010.

Por tudo isso, ao ler os poemas de Ruídos (2002), Negrices em flor (2007) e os inéditos, agora reunidos num único volume, entramos em contato com uma potência artística e existencial tão rara quanto bela. Sob a letra e o traço de Maria Tereza, “as páginas dos livros são intermináveis. E são pretas”. Seus versos encarnam uma inquietação profunda com a matéria que compõe a vida e, acima de tudo, vão em direção ao que deveria ser mais: mais alegria, mais prazer, mais poesia. Poesia com carne e osso, sonho e gozo, que é forte porque sabe que “a vida dá umas entortadas”…

Quando lemos essa obra brilhante de alguém que partiu tão precocemente, é inevitável pensar em urgência. De fato, os poemas que compõem Rosa Preta — frutos de uma atividade artística múltipla, pois abraçam também o teatro, a música, o cinema, a performance etc. — são inadiáveis: dão a letra e saem andando, mas mudam tudo por onde passam.

Rosa Preta: poesia reunida

Plaquete de novembro

Esta é uma plaquete fruto de encontros: tudo nela começa com o encontro poético entre as vozes de Daniel Massa e Yamaluí Kuikuro Mehinaku, entre o português e o kuikuro, entre o amor e o humor. E, sobretudo, entre homens e mulheres no território indígena do Xingu (MT), onde viver e amar são uma mesma coisa, e a mais importante delas.

Em quarenta poemas (metade em português, metade em kuikuro, porque não são exatamente traduções, mas espelhos livres uns dos outros), entremeados aos desenhos de Ahuseti Larissa Kuikuro, somos apresentados a um universo em que o amor tem cheiro de pequi, voa pela aldeia, balança na rede; em que a amada “é mais bonita que um filhote de onça dormindo no sol” e o “namorado parece uma capivara”. Nesse jogo, as imagens trocam de pele, passeando entre as línguas para tentar desvendar até onde o amor, lá e cá, é capaz de nos fazer voar: “um pássaro cheio de saudade/ só voa perto do chão”.

Nesse laço bem-humorado entre poemas de amor, o trânsito entre as línguas e as poéticas também simboliza outras formas de união. Historicamente, para os povos originários, aprender línguas sempre foi algo fundamental para as alianças com outras aldeias e, claro, para dialogar com os não indígenas. Mas, também, serviu para dar conta de um amor que não cabia em nenhum território. E se muitas vezes a língua dos brancos é sinônimo de violência, aqui ela se dobra para aprender e viver outros amores com a poesia kuikuro.

uakitingo-tapogingo / amor-humor
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