Caixa de junho

junho 2026

Na caixa de junho, os assinantes recebem o livro Os enigmas singulares, primeira antologia poética brasileira de José Tolentino Mendonça, um dos principais nomes da poesia portuguesa contemporânea. Em quase duas centenas de poemas, o leitor vai se admirar com a voz suave e forte do “poeta cardeal”, que não consegue nem pretende “curar-se/ de uma delicadeza infinita”. Como afirma Marcio Cappelli, responsável pela organização e posfácio do volume, “estamos diante de alguém comprometido, no duplo sentido, com e pela poesia, concebida como conjunto de ‘enigmas singulares’”. Também vai na caixinha a plaquete Caderno de lascas, de Alberto Martins. Em meio a “prateleiras cheias de tralha,/ uma confusão de cacarecos”, as palavras convivem com a voz dura das gravuras, entre poema e ensaio, entre verbal e visual, forjando uma reflexão viva sobre as poéticas. Essas “lascas” escritas, que partem do ateliê do gravurista, convidam a entrar na obra de um dos mais importantes poetas em atividade. No fundo, dá para ouvir o martelo bater, a faca rasgar e o formão escavar sob as palavras.

Livro de junho

A obra poética de José Tolentino Mendonça é um dos grandes tesouros da tão exuberante e variada poesia portuguesa contemporânea. Em profundo diálogo com as vozes do século XX, não apenas seus compatriotas Fernando Pessoa, Herberto Helder e Adília Lopes, mas também com Simone Weil e Pier Paolo Pasolini, por exemplo, Tolentino publicou treze livros de poesia nas últimas quatro décadas, lado a lado com uma obra teórica que o destacou também como um dos mais importantes estudiosos de teologia.

Os enigmas singulares, organizado pelo poeta e pesquisador Marcio Cappelli, profundo conhecedor da produção poética e teológica do escritor português, apresenta uma ampla mostra da poesia de Tolentino, recolhendo textos de todos os seus livros em ordem cronológica. São quase duas centenas de poemas, diante dos quais é inevitável lembrar que estamos lendo os escritos de alguém que, no mesmo ano em que estreou na poesia, tornou-se padre.

Atualmente, Tolentino é cardeal da Igreja católica, mas quem tentar desatar o nó entre o poeta e o sacerdote na sua obra, em favor de um ou de outro ofício, vai fatalmente escorregar. E ainda mais se considerar que os versos dele estão subordinados à religião, porque em todos os poemas o que brilha é contrário a qualquer dogmatismo, na voz suave de alguém que não consegue nem pretende “curar-se/ de uma delicadeza infinita”. Como afirma Cappelli, “estamos diante de alguém comprometido, no duplo sentido, com e pela poesia, concebida como conjunto de ‘enigmas singulares’”. Vem daí a força admirável desse poeta.

Plaquete de junho

Chapas de metal, parafusos, placas de madeira, serragem, argila, zarcão: é no meio de “prateleiras cheias de tralha,/ uma confusão de cacarecos” que Alberto Martins, poeta e artista plástico, procura as lascas da poesia. E vice-versa. Neste caderno, em que as palavras convivem com a voz dura das gravuras, o poeta transita entre a anotação e a citação, entre a faxina e o sonho. A tinta preta das letras e das gravuras é a mesma.

Caderno de lascas é um poema, ou uma série de poemas, mas sua forma transborda. Ao mesmo tempo, é um ensaio, ainda que também escape para outros registros. Essa forma oscilante, mutante, entre verbal e visual, forja uma reflexão sobre o trabalho do poeta e o do artista em geral, como trabalho mesmo, ação concreta do corpo, da mente, das ferramentas sobre determinados materiais, revelando a linguagem das coisas e, claro, as coisas da linguagem, testando diferentes escalas para o próprio gesto.

Nessa oficina aberta, confluem os trabalhos — as artes — de escultores, gravadores, tradutores, mas também de soldadores, marceneiros, caldeireiros. Interessa ao autor chegar até o lugar em que as duas acepções de pintor, seja de quadros ou de paredes, não se distinguem. Por outro lado, essas “lascas” escritas, que partem do ateliê do gravurista, convidam a entrar na obra de um dos mais importantes poetas em atividade. No fundo, não há divisões entre as diversas práticas de Alberto Martins: dá para ouvir o martelo bater, a faca rasgar e o formão escavar sob suas palavras.

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