Três vezes Lázaro
(fevereiro 2026)
Sobre o livro
Por que uma jovem poeta, forjada na linguagem das criações contemporâneas, traria Lázaro de volta? O Lázaro bíblico, conta-se, foi ressuscitado por seu amigo Jesus depois de quatro dias sepultado e saiu andando em meio à multidão encantada com os poderes divinos. No novo livro de Natasha Felix, o regresso de Lázaro também pode ser visto como uma demonstração de poder — mas da poesia, capaz de explodir os limites do nosso mundo e da nossa mente, reavendo a vida onde pousou a morte.
Sob a aparência fragmentária e utilizando recursos da dramaturgia, Três vezes Lázaro une suas criaturas (deuses, fiscais fungos) para compor as cenas em que esse personagem múltiplo desfila suas/nossas chagas. A variação formal dos poemas, aliás, já é uma maneira de reproduzir as aparições e desaparições de Lázaro, o seu livre trânsito entre mundos, o seu escorregar entre real e irreal: “É tudo tão real quanto você imagina”.
É na imagem de alguém que não se dobra à fronteira entre existir e não existir que Natasha Felix simboliza também outras fronteiras (muros, cercas, portas, passaportes, leis) que definem o nosso mundo, confinando corpos, ideias, sonhos, e assim as desafia.
Os leitores que já conhecem a exuberância poética de Natasha Felix — seus versos que transbordam dos livros para o palco e a pista, para a voz e o quadril, e vice-versa — podem imaginar que Lázaro também não ficará quieto nessas páginas. Lázaro vai andar por aí, indiscernível e inconfundível, um pouco como cada um de nós. Quem renasce, aqui, é também quem lê. Eis o milagre, eis a pilantragem.
Este livro é parte da caixa de fevereiro 2026
- título Três vezes Lázaro
- autor Natasha Felix
- ISBN 9786561391108
- Páginas 80
- Formato 13,5 x 20
Trecho
Vivem com você vozes tão especiais gostam
muito de proliferar as vozes às vezes rugosas outras
vezes macias ao toque e ainda uma ou outra mais
densa, firme, pouco permeável. Ganham volume,
ganham camadas, quanto mais tempo ficam com você.
Constroem uma película em volta da sua casa —
fixam na sua pele, no substrato
cheias de vontade, as vozes estão loucas para vilanizar.