Rosa Preta: poesia reunida
(novembro 2026)
Sobre o livro
Maria Tereza viveu intensamente. Nascida em 1974, na Vila Nova Cachoeirinha, Zona Norte de São Paulo, onde morou a maior parte do tempo com sua família, ela conheceu alguns lugares pelo mundo, mas, sobretudo, circulou e se engajou na cena cultural de sua cidade, desdobrando-se em muitas personagens, nos palcos e para além deles, marcando profundamente todos que foram tocados por sua poesia, até que uma síndrome de nome curioso — POEMS — colheu essa Rosa Preta, em 2010.
Por tudo isso, ao ler os poemas de Ruídos (2002), Negrices em flor (2007) e os inéditos, agora reunidos num único volume, entramos em contato com uma potência artística e existencial tão rara quanto bela. Sob a letra e o traço de Maria Tereza, “as páginas dos livros são intermináveis. E são pretas”. Seus versos encarnam uma inquietação profunda com a matéria que compõe a vida e, acima de tudo, vão em direção ao que deveria ser mais: mais alegria, mais prazer, mais poesia. Poesia com carne e osso, sonho e gozo, que é forte porque sabe que “a vida dá umas entortadas”…
Quando lemos essa obra brilhante de alguém que partiu tão precocemente, é inevitável pensar em urgência. De fato, os poemas que compõem Rosa Preta — frutos de uma atividade artística múltipla, pois abraçam também o teatro, a música, o cinema, a performance etc. — são inadiáveis: dão a letra e saem andando, mas mudam tudo por onde passam.
Este livro é parte da caixa de novembro 2026
- título Rosa Preta: poesia reunida
- autor Maria Tereza
- ISBN 9786561391481
- Páginas 224
- Formato 13,5 x 20
Trecho
Ir ver
Ir ver o outro lado de si
Cantar até o canto ser encanto
Rolar escadas e ladeiras do próprio pranto
Atravessar mundos, harmonizar sistemas
A outra face dura tua também tua muda
Pedir ajuda à ciência e ao santo
Recuar, deixar vir as crias, ouvir espumas do mar
Construir alicerce bem formado
No poço profundo do mundo não cabe todo mundo
E lá quem sabe não é um bom lugar
Guerrear só quando.