Livros

Poema do desaparecimento
(março 2024)


Sobre o livro

“Todo poema/ declara o nosso desaparecimento” — é em torno dessa sentença que Laura Liuzzi, uma das principais vozes de sua geração, constrói seu novo livro. Nele, toda existência — sejam maçãs, estrelas, sonhos, versos ou pessoas — só pode ser plena no exato ponto em que abandona a relação racional que nossa consciência tenta estabelecer com tudo à volta: perto e distante, no tempo e no espaço, dentro ou fora de nós. Com isso, Liuzzi se afasta da escrita autobiográfica que vigora em nossos dias e promove um precioso encontro entre a poesia e o pensamento filosófico.

Poema do desaparecimento, como o título indica, é constituído por um longo poema em que cada parte (ou cena, porque aqui também há muito de cinema nas voltas do pensamento e do olhar) é tecida com a matéria da outra. Mas não deixa de ser verdade que suas partes se oferecem como poemas independentes, em que a percepção do todo também desaparece. Aliás, à certa altura, a própria autora desaparece, e se incorpora ao poema a voz de outra poeta, a paulistana Julia de Souza.

Depois de mergulhar nesse todo deslumbrante em que desaparecer é a forma mais bonita de aparecer, em que tudo pode deixar de ser o que sabemos para se transformar em algo mais surpreendentemente vivo, não é mais possível olhar para o mundo da mesma maneira. Nas palavras de Leonardo Fróes, que assina o texto de orelha do livro, “Laura Liuzzi nos induz, num ritmo que envolve pela espontaneidade e com imagens despidas de qualquer artifício, a vislumbrar como na coesão do todo é que o mundo funciona num desabrochar de miragens, sem depender de explicações ou sentidos que queiramos atribuir aos fenômenos”.



Este livro é parte da caixa de março 2024
  • título Poema do desaparecimento
  • autor Laura Liuzzi
  • Páginas 88
  • Formato 13,5 x 20 cm
  • Capa Alles Blau

Trecho

se percebo uma maçã
esta maçã me constitui
o cabo levemente envergado
a pele vermelha cheia de sardas
sou eu a maçã agora que ela
entrou no meu mundo sou eu
vermelha arredondada pintada
é meu o seu interior amarelado
o suco que solta da carne esponjosa
as pequenas sementes escondidas
em suas costelas sou eu
a mesma que decide pegar
com as mãos a maçã
e sem descascá-la, feri-la
com os dentes, ferir-me
com os dentes e sentir
na língua sua carne
meu suco o som
de seu desaparecimento
a nossa frágil eternidade.

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