Os enigmas singulares: antologia poética
(junho 2026)
Sobre o livro
A obra poética de José Tolentino Mendonça é um dos grandes tesouros da tão exuberante e variada poesia portuguesa contemporânea. Em profundo diálogo com as vozes do século XX, não apenas seus compatriotas Fernando Pessoa, Herberto Helder e Adília Lopes, mas também com Simone Weil e Pier Paolo Pasolini, por exemplo, Tolentino publicou treze livros de poesia nas últimas quatro décadas, lado a lado com uma obra teórica que o destacou também como um dos mais importantes estudiosos de teologia.
Os enigmas singulares, organizado pelo poeta e pesquisador Marcio Cappelli, profundo conhecedor da produção poética e teológica do escritor português, apresenta uma ampla mostra da poesia de Tolentino, recolhendo textos de todos os seus livros em ordem cronológica. São quase duas centenas de poemas, diante dos quais é inevitável lembrar que estamos lendo os escritos de alguém que, no mesmo ano em que estreou na poesia, tornou-se padre.
Atualmente, Tolentino é cardeal da Igreja católica, mas quem tentar desatar o nó entre o poeta e o sacerdote na sua obra, em favor de um ou de outro ofício, vai fatalmente escorregar. E ainda mais se considerar que os versos dele estão subordinados à religião, porque em todos os poemas o que brilha é contrário a qualquer dogmatismo, na voz suave de alguém que não consegue nem pretende “curar-se/ de uma delicadeza infinita”. Como afirma Cappelli, “estamos diante de alguém comprometido, no duplo sentido, com e pela poesia, concebida como conjunto de ‘enigmas singulares’”. Vem daí a força admirável desse poeta.
Este livro é parte da caixa de junho 2026
- título Os enigmas singulares: antologia poética
- autor José Tolentino Mendonça
- ISBN 9786561391269
- Páginas 296
- Formato 13,5 x 20
Trecho
A estação impossível
O poema exprime-se em frases entrecortadas
linhas da corrente, irrisórias explosões
mas espera qualquer coisa
suficientemente brilhante
qualquer coisa
para lá dos caudais escoados
que no alto erga
a estação impossível
esse momento em que a língua dos homens
não possa mais mentir