Ilusões bárbaras
(agosto 2026)
Sobre o livro
“Vamos, atenda o telefone,/ é urgente, quero cantar pra você” — na poesia de Moisés Alves, em Ilusões bárbaras, há sempre uma conversa acontecendo ou tentando acontecer. Há um “você” e um “eu”. Por vezes, temos a impressão de que quem fala “eu” é o próprio poema, que lança suas palavras em direção ao poeta. Noutras, é ele quem diz “eu” e nos coloca, leitores, no lugar desse “você”, que recebe as setas afiadas nas horas mais comuns: “A vida é uma guerra./ Espalhada por todo canto,/ inclusive nas casas”.
O que essas conversas nos mostram são relações intensas, truncadas pela incompreensão, pelos silêncios (nunca ouvimos, do outro lado, a voz do “você”), pela violência. Há o forte desejo de escapar dessa espiral, mas os caminhos não são simples: “sei bem do que viver é capaz”. Há fúria movendo-se por dentro, mas, de repente, tudo se enrosca ao temor de que já seja tarde demais para que as coisas mudem de rumo: “uma mágoa não se arrasta/ tão facilmente de um canto a outro/ sem ferir o chão da casa”.
O pai, a mãe, os deuses, os amantes são convidados a entrar nos poemas, mas é sempre ríspida a recepção: “O amor é um cão/ em cólera”. Talvez venham daí, desse atrito de que elas nunca fogem, a densidade e a força dessas palavras colhidas na vida, que têm “cor, ritmo, hálito, sabor”, como afirma Jorge Alencar na orelha do livro.
Este livro é parte da caixa de agosto 2026
- título Ilusões bárbaras
- autor Moisés Alves
- ISBN 978-65-6139-134-4
- Páginas 160
- Formato 13,5 x 20
Trecho
Machado
a fúria que precisa haver
em qualquer coisa para nascer
seja para o que for
uma violência na medida
de seu próprio corpo e carência
há um instante
em você
que não resiste
nem se rende
a isso
que não dou
a ninguém
e não me pertence
o jogo é violento
como ainda são os jogos
os truques o destino
de uma criança
o caloroso e necessário exercício
das contrações que coisas fazem
para caber num tamanho