Plaquete

blue dream
(julho 2024)


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Sobre a plaquete

Não é segredo que os poetas têm especial predileção por falar de amor.  E reparando bem, a maior parte dos poemas de amor trata de momentos extremos: quando viver o amor ainda não é possível, ou quando ele já se tornou — ou vai se tornando — impossível. Os poetas gostam do amor, da excitação do “não ainda”, mas também se jogam no abismo do “não mais”.

Esta série de poemas de Sabrinna Alento Mourão conta a história de amor entre duas mulheres e nos leva exatamente para esse momento do “não mais”: o amor desfeito, o laço rompido, e o desejo de refazer-se depois que a história termina. Se o título é um tributo à doce companhia da fumaça (“o último dos becks apagado pela última das lágrimas/ depois de aceso com o último dos fósforos”), também podemos tomá-lo como senha para entrar num sonho que atravessa a tristeza (“esse amor durou um governo,/ uma pandemia, um holocausto,/ quatro paredes, o isolamento,/ foi apenas incapaz de resistir/ à realidade”) até se iluminar de novo.

Depois das “últimas palavras”, a poeta de blue dream aprende a tirar beleza dos cacos e costurar a si mesma com os fios que se confundem no casal. Com ela, aprendemos a desenredar o amor e buscar nosso caminho natural em meio a tudo que não podemos controlar: “o amor é uma viagem/ feche este livro/ aprecie a paisagem”. O melhor a fazer é entregar-se a este sonho que se vive entre o “não ainda” e o “não mais”.



Esta plaquete é parte da caixa de julho 2024

Trecho

Um poema

 

poema de merda

 

você acabou comigo

 

e eu, como uma vingança às avessas,

me tornei o que jurei destruir em mim:

você.

 

agora faço comidas em uma panela só,

hiberno aos finais de semana,

deixo embalagens de comida falsa pelo quarto

& levo o celular ao banheiro —

que é de onde escrevo pra você.

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