A lágrima de um Caeté
(setembro 2026)
Sobre o livro
Poeta, tradutora, ensaísta, educadora, viajante, mãe — Nísia Floresta é, sem dúvida, umas das figuras mais admiráveis da história brasileira. O atual interesse por sua obra e, consequentemente, por sua vida de intelectual e militante tem ajudado a colocá-la no lugar de destaque que lhe é devido: uma mulher que, nas primeiras décadas do século XIX, elaborava, defendia e fazia circular no Brasil as ideias mais avançadas e combativas de seu tempo, que permanecem atualíssimas ainda hoje.
No conjunto de seus escritos, o poema A lágrima de um Caeté tem papel fundamental e é prova contundente da importância histórica e da atualidade vibrante de Floresta, mas também de que ela era, além de tudo, capaz de fazer em versos precisos a denúncia do etnocídio e a crítica da escravização e da colonização portuguesa, ao contar a história de um indígena, único sobrevivente de seu povo, que vaga por Pernambuco.
Esta edição, organizada e anotada pela pesquisadora Marina Santos, responsável também pelo estudo crítico que vem como posfácio ao poema, traz a transcrição rigorosa dos versos de Nísia Floresta a partir das fontes primárias. Como afirma o professor Alexandre Nodari na orelha do livro, trata-se de um poema que “deveria ocupar lugar de destaque nos estudos sobre o período. […] Contudo, como aconteceu com outras obras indianistas de autoria feminina, A lágrima de um Caeté foi ignorada pela historiografia dos séculos XX e XXI, incluindo aquelas que buscam complexificar o movimento”.
Este livro é parte da caixa de setembro 2026
- título A lágrima de um Caeté
- autor Nísia Floresta
- ISBN 9786561391368
- Páginas 96
- Formato 13,5 x 20
Trecho
[…]
Era um homem sem máscara, enriquecido
Não do ouro roubado aos iguais seus,
Nem de míseros africanos d’além-mar,
Às plagas Brasileiras arrastados
Por sedenta ambição, por crime atroz!
Nem d’empregos qu’impudentes vendem,
A honra traficando! o mesmo amor!!
Mas uma alma, de vícios não manchada,
Enriquecida tinha das virtudes
Que valem muito mais qu’esses tesouros.
[…]