Caderno de cadernos
(agosto 2026)
Avise-me quando chegar
Sobre a plaquete
Se poemas são capazes de transportar os leitores para os mais distantes universos, no Caderno de cadernos de Pedro Cassel a viagem é para um lugar em que eles ainda não nasceram, o livro ainda é um sonho e a escrita se embaralha com as tarefas do dia. Desde o primeiro verso, ele nos torna um “você” que está diante de um caderno em branco e cercado por um mundo que conversa com seu corpo, essa “máquina de perceber”.
Daí em diante, a cada página do caderno descobrimos algo sobre os bastidores dessa “oficina (nem sempre) irritada” em que o poeta, no fim das contas, gosta de viver. Às vezes, ele se sente um detetive. Noutras, ele apenas quer fazer a faxina em paz, ou ser um velho poeta japonês, ou saborear as palavras com calma. Mas, no fundo, ele também sabe que escrever um poema é, quase sempre, tentar “começar um incêndio/ com o último fósforo”.
E no entanto, não é apenas do trabalho do poeta que temos notícia aqui. Uma das artimanhas da poesia é esconder um assunto sob outro e nos despistar enquanto move as peças detrás de algum “tema sem importância”. E é bom lembrar disso ao ler Caderno de cadernos, porque em toda essa conversa sobre cadernos baratos, caros, pequenos, alheios, o que está em jogo é uma paixão que passa pelas palavras para ir bem além: “decore um bom poema de amor/ e o amor, essa ave histérica,/ pra sempre vai dormir na sua boca”.
Esta plaquete é parte da caixa de agosto 2026
- título Caderno de cadernos
- autor Pedro Cassel
- ISBN 978-65-6139-130-6
- Páginas 40
- Formato 13,5 x 20
Trecho
vantagens da poesia sobre os romances
guarde um poema na cabeça
e você tem uma pequena hidrelétrica.
guarde um romance e você tem
um problema. quando denise desceu
as escadas, ela hesitou ou oscilou?
qual era mesmo a palavra? quando
o sol desceu, no terceiro capítulo,
pintou o céu de bronze ou de ocre?
jogue tudo fora. nada faz diferença.
memorize quatro haicais, um para cada
estação, e o ano inteiro será seu.
decore um bom poema de amor
e o amor, essa ave histérica,
pra sempre vai dormir na sua boca.