Faltam emojis
Avise-me quando chegar
Sobre a plaquete
De uns anos para cá, passamos os dias e as noites enviando mensagens: entre abreviações e descuidos gramaticais, cada vez mais nossa linguagem é tomada por pequenos desenhos coloridos que tentam sintetizar o que precisamos dizer a todos com quem interagimos, sejam amigos, amores ou mesmo desconhecidos. Entre emojis e emoticons (além da enxurrada de outras imagens, como fotos, gifs e memes que trocamos pelos mesmos canais), nossas palavras se espremem para lidar com tanta urgência.
E é claro que isso chamaria a atenção dos poetas, não apenas porque eles amam suas línguas e cada uma das palavras, mas porque sabem — ou tentam desesperadamente saber — o que ganhamos e o que perdemos em cada esquina da linguagem. É o que podemos constatar em Faltam emojis, série de poemas em que Laura Erber investiga o que se tornou nossa comunicação (e nossa vida!) quando, no lugar das velhas frases, passamos a enviar os desenhos inventados por um jovem designer japonês há menos de três décadas: “críticos argumentam/ que o seu uso/ degradou a qualidade do discurso da vida dos amores/ que as novas gerações/ estão ficando emocionalmente/ estúpidas”.
Nesse tempo, muita coisa mudou e, junto com as expressões faciais resumidas em rostos que são simples bolinhas amarelas, temos centenas de símbolos para dizer quase tudo — ou quase nada. Porque, na verdade, o que a poeta nos ensina, ao declarar que faltam emojis, é que sempre faltarão emojis: a vida não cabe nem caberá neles. Depois de ler os poemas, vai ser mais difícil deixar um emoji se intrometer, impensada e impunemente, entre suas palavras. E, mais ainda, entre você e outra pessoa de carne e osso.
- título Faltam emojis
- autor Laura Erber
- ISBN 9786561391283
- Páginas 40
- Formato 13,5 x 20
Trecho
a poesia irrita
a prosa é lenta
a vida é trôpega
a rima é pobre
o tempo intriga
é de treva e trova
traduz em
fome fogo filho
e trégua
ruído amigo
corações no fim
do mundo
em festa
a guerra é
agora
[…]