Ínsulas
(fevereiro 2026)
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Sobre a plaquete
Os breves poemas que formam Ínsulas, de Dalila Teles Veras, sintetizam as linhas de força de uma voz admirável que, em mais de quatro décadas de intensa atividade poética, política e cultural (que sempre estão, para ela, numa mesma dimensão), se apurou e espraiou em versos, poemas em prosa, crônicas, diários e ensaios.
A palavra “ínsula” remete à origem latina de “ilha”, mas também carrega outro sentido muito pertinente aqui: “ínsula” (ou córtex insular) é a região do cérebro em que as sensações corporais se conectam com as emoções e com os sentimentos, ou seja, em que a mente traduz as mensagens do corpo. Nos poemas da plaquete, esses dois sentidos se projetam porque, junto à insularidade evocada pela poeta (nascida numa ilha portuguesa), há o testemunho de uma mulher que rompe o isolamento ao se identificar e multiplicar junto a outras mulheres e, também, ao lidar com a forma como a passagem do tempo inscreve, no corpo e na mente, outra vida, outro modo de viver.
Na primeira parte, os poemas tratam da percepção particular do mundo que decorre não apenas de ter nascido e vivido a infância numa ilha, mas do fato de partir em direção ao exílio — a ilha, assim, é lugar no espaço, lá fora, mas também algo que se carrega por dentro e, claro, na escrita (“todo um arquipélago a compor a poeta e a poesia”). Na segunda, “Infusões”, o olhar se abre para retratar a força das mulheres ao redor: anfíbias, engenheiras, ambientalistas, magas, artilheiras, ambidestras, ilusionistas — “que ninguém se iluda com a fragilidade aparente”. Na terceira, “Faces, fases”, a poeta volta-se para o “novo/velho corpo”, em que os músculos e a memória se transformam, mas, “ostra agarrada ao tempo”, flagra o que ainda a faz criar e desejar.
Esta plaquete é parte da caixa de fevereiro 2026
- título Ínsulas
- autor Dalila Teles Veras
- ISBN 9786561391061
- Páginas 40
- Formato 13,5 x 20
Trecho
Ouvidos colados ao solo, ausculto e, quase inaudíveis,
percebo indícios de turbulência. Olhos vigilantes,
contorno o inevitável confronto e sigo. Sentidos
atentos aos dias, busco os sinais, indispensáveis
ferramentas de interpretação. Alma esfregada e
puída, recolho o silêncio roto e, no embaçado espelho,
desenho rotas de fuga.