Caixa de maio

maio 2026

Na caixa de maio, os assinantes recebem a primeira antologia brasileira do poeta Raúl Zurita, Sua vida quebrando-se. Um dos grandes nomes da poesia mundial nas últimas décadas, Zurita inventou na poesia formas admiráveis de projetar sua voz — seu grito por liberdade — para além das fronteiras da ditadura chilena. O livro foi organizado por Francesca Cricelli, responsável também pela tradução, e Ana Rüsche, autora do posfácio, a partir da antologia pessoal do poeta, Tu vida rompiéndose (2016), na qual ele repropõe uma obra que, revirando o passado, nos chega igualmente viva e inquietante. Zurita é urgente — sempre. Também vai na caixinha a plaquete Pó de arroz, de Bruna Beber, segundo volume da “Trilogia filológica do paladar” iniciada com Sal de fruta, em 2023. Acompanhar suas palavras é como andar sem rumo, porque ela gosta do desvio, do drible, do jogo, e espalha comida pelo caminho: pastel, mel, ovos, ovas e mais ovos. Mas, no fundo, é de amor e desamor que se trata. Ou não? Repare: “é na cozinha que sou mais feliz quando não estou na sala”. E ela fala tão de perto conosco que nem parece estar fazendo poesia. Mas está, ô se está.

 

Livro de maio

Autor

Raúl Zurita

Na geração de artistas latino-americanos que, nas décadas de 1960 e 1970, foi confrontada com a instalação de ditaduras militares em seus países, o nome do chileno Raúl Zurita é um dos expoentes mais singulares. Perseguido, detido e torturado pelas forças de Pinochet, ele inventou na poesia formas admiráveis de projetar sua voz — seu grito por liberdade — para além das fronteiras e das trincheiras do regime autoritário.

Desde então, Zurita faz versos altivos, brilhantes, e promove seus atos poéticos com o estardalhaço preciso para denunciar e enfrentar a violência, o que inclui até mesmo escrever palavras no deserto ou com aviões no céu. Em sua obra, já traduzida para muitas línguas, se tece uma militância em defesa da vida, seja quando ela está sob o ataque de ditadores, seja quando as injustiças a reduzem à luta pela sobrevivência.

Cobrindo esse vasto e denso panorama de meio século de produção, Sua vida quebrando-se é a primeira antologia brasileira da obra de Zurita. O livro foi organizado por Francesca Cricelli, responsável também pela tradução, e Ana Rüsche, autora do posfácio, a partir da antologia pessoal do poeta, Tu vida rompiéndose (2016), em que ele não apenas revisa, mas também repropõe as combinações internas de uma obra que, revirando o passado, nos chega igualmente viva e inquietante. Zurita é urgente — sempre.

Plaquete de maio

Autor

Bruna Beber

Não são muitos os poetas de que podemos dizer que riem enquanto escrevem e, menos ainda, aqueles que fazem os leitores rirem enquanto leem seus versos. Bruna Beber, sem dúvida, é uma dessas, desde sua estreia que agora completa duas décadas, porque acompanhar suas palavras é como fazer um passeio pelas ruas mais inusitadas, entrando e saindo das casas de amigos e amores, de bares e feiras, parando para comer um pastel, bater um papo nada urgente ou morder com vontade alguma fruta.

O leitor do Círculo de Poemas já foi lançado no meio desse rolê por Sal de fruta, em 2023. Agora, em Pó de arroz, segundo volume da sua “Trilogia filológica do paladar”, o amor colhido no caminho pode aparecer assim: “Ela me deu um Bubbaloo. Tomamos suco de angu. De repente uma confusão. Rolamos nuas pelo chão. De São Paulo à Tijuca: totó, tranca e sinuca. Da Tijuca ao Piauí: cerveja, pinga e tambaqui”. E descobrimos, nessa série de poemas em prosa que tem ovos — sim, ovos — como protagonistas, algumas verdades simples, como são aquelas de que mais precisamos: ora ela nos diz que “A paixão é molhadinha”, ora que “Água de cheiro de gente é tão bom”.

A poesia de Beber gosta do desvio, do drible, do jogo. Em Pó de arroz, há muita comida: pastel, farofa, cozido, mel, ovos, ovas e mais ovos. Mas, no fundo, é de amor e desamor que se trata o tempo todo. Ou não? Repare: “é na cozinha que sou mais feliz quando não estou na sala”. E ela fala tão de perto conosco que nem parece estar fazendo poesia. Mas está, ô se está.

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